segunda-feira, 21 de maio de 2018

Mestiça da Mata

Ó mestiça da Zona da Mata!
Coração de amazona
forjado nas canas do canavial...
Todos fazem pouco do teu drama!
Querem apenas o deleite
no viço de tua carne escultural...
Ó mestiça tão meiga e ingênua!
Um ou outro sempre te engana
com qualquer conversa banal...

Mas eu quero namorar contigo!
Vem mestiça morar comigo,
tomar banho de sol e de sal...

Mas eu quero firmar contigo!
Vem mestiça ficar comigo,
vamos juntos beirar o litoral.

Publicado em: oasispoeticobrasil.blogspot.com.br
Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).
 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

A cara do brasileiro


A gente tem cara de desempregado
e no fundo do olhar se vê desespero...
Um povo desde sempre injustiçado!
Mãos alheias regulam antigos arreios;
A gente é a cara do brasileiro!

Cinco séculos duma vida de gado,
nação sem educação, sem zelo…
A gente tem cara de palhaço!
E come farelo do bolo sem recheio;
A gente é a cara do brasileiro!

A gente tem cara de lesado,
de quem é esbulhado por inteiro!
E como se isto fosse engraçado,
incitam-nos a rir dos desacertos...
A gente é a cara do brasileiro!

Porém, já tem brasileiro desconfiado,
de que há algo errado no meio!
Mas é inviável de olhos vendados…
Um dia a gente aprende o enredo!
E rompe as correntes do cativeiro.

Publicado em: oasispoeticobrasil.blogspot.com.br
Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).
 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Fetiche

Ó meu flamejante Recife!
Borbulhante, sem limites...
Um mormaço que às vezes
causa até vertigem...
Porém quando a lua cheia
prateia o Capibaribe,
e a doce brisa me traz o cheiro
das sereias que cruzam os arrecifes...
Dá-me ânsia de pôr uma à mesa
com pimenta, azeite e gengibre;

Ó meu intenso Recife!
Marco Zero sempre em riste!
E a bela morena faceira,
cheia de si forjando melindres...
Os seus seios fartos
quase saltando da vitrine!
Quão febris são essas horas altas
depois de algumas cubas libres...
Ah! Eu não respondo por mim,
quando me entrego ao fetiche.

Publicado em: oasispoeticobrasil.blogspot.com.br
Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).
 

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Mestiça minha!

Ó mestiça minha!
Que mistura foi essa,
a qual te fez tão linda?
Mescla que desperta
latejos de puro ardor...
A união de três raças
tantas peculiaridades
ao teu contorno somou...
Ó mestiça minha!
Matiz de canela e cravo,
e um olhar amendoado
que o meu arrebatou...
Ó mestiça minha!
Mestiça mulher,
ao mesmo passo menina...
Misto de pueris sonhos
e desejos tão selvagens...
Sou metade sem teu amor!
Ó mestiça minha!
Preta e branca e índia...
Exuberância de beleza
das formosuras reunidas...
A natureza te laureou.

Publicado em: oasispoeticobrasil.blogspot.com.br
Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).
 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Mãe é mais ainda...

Mãe é ventre que multiplica,
é o seio divo que nutre,
ternura que incentiva
os primeiros passos...
Mão que embala o berço,
voz que entoa cantigas...
É regaço que vela o sono
nas noites mais frias...
Mãe é mesmo tudo isso!
Mas é mais ainda...

Mãe é o olhar benevolente,
único que compreende
todos os nossos defeitos...
É palavra que acalma a alma
ante os dissabores e receios...
É ouvido confidente,
que guarda mil segredos!
Até os mais ínfimos...
Mãe é mesmo tudo isso!
Mas é mais ainda...

Mãe é a palmada dada
na hora certa!
É o puxão de orelhas
na justa medida;
É dentista, enfermeira,
educadora, malabarista...
E é também o pivô
de nossa própria torcida!
Mãe é mesmo tudo isso!
Mas é mais ainda...

Mãe é trabalho, é correria!
É fé, coração, abnegação...
É o porto mais seguro
feito de plumas tão macias,
e nos resguarda do mundo!
Mãe é amor, alento, paz...
E se for preciso ela faz
por nós qualquer sacrifício...
Mãe é mesmo tudo isso!
E que falta me faz a minha!

Publicado em: oasispoeticobrasil.blogspot.com.br
Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).
 

segunda-feira, 7 de maio de 2018

O meu canto

O meu canto é mestiço!
Mas tenho coração, tenho alma...
Parto do branco, do preto, do índio...
Venho da raiz que brotou na África;

Quem só vê de longe a matiz
de minha pele mais alva,
não é capaz de assimilar
a minha preta fala,
e nem tampouco enxergar
o meu coca invisível de índio!
Portanto não venha desdenhar
o semelhante mais tingido...

A maior tolice do tolo
é negar aquilo que lhe abarca,
porque a partir do hominídeo
germinou a espécie humana,
na árvore africana ancestral...
E cada ramo reproduziu
um tipo próprio de nuança,
por causa da seleção natural.

Publicado em: oasispoeticobrasil.blogspot.com.br
Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).