domingo, 31 de dezembro de 2017

Vida e sonho

E se a vida for só um sonho?
Um sonho triste e risonho…
Cíclico, divino, infinito,
preto, branco e colorido…
Ah! Eu quero mais é sonhar…
Flutuar nesse imenso palco
girando na vastidão sombria,
donde se enxerga ainda
o brilho de tantas estrelas…
Até daquelas que já pereceram,
pois seus lampejos continuam lá!
Ah! Eu quero mais é sonhar…
Sonhar o sonho humano,
aí vão ilusões, desenganos…
Entre pastores, lobos e cordeiros,
a cobiça vai além do apreço,
vil raiz que se precisa arrancar!
Ah! Eu quero mais é sonhar…
E se todos sonhassem
com a alma e o coração,
não haveria frio, dor, solidão…
Mas é fato, um infeliz fardo!
A gente não sonha,
vez em quando dorme acordado;
Doravante será diferente!
Às vezes a gente vê e sente,
contudo não sabe como agir…
Não basta querer, há de seguir,
semeando no caminho o amor,
e tudo de bom brotará!
Ah! Eu quero mais é sonhar…

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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Coisas imutáveis

Às vezes você ousa pensar,
que finalmente algo mudou...
Mas tão logo percebe
que não mudou nada!
Há coisas nessa vida
que realmente jamais mudam,
e na verdade não importa
o que você fez ou faça...
Elas permanecem imutáveis!
São coisas tão profundas
e arraigadas numa alma,
que a gente não sabe
ou não consegue modificar...
Talvez façam parte dela!
São como algumas doenças,
as quais não têm cura,
e a gente não quer aceitar!
Busca-se encontrar razões...
Mas nem sempre há de achar.

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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Beleza humana

O que dizer da beleza humana
quando ultrapassa os limites?
Sublime inspiração,
que enche de sonhos o coração,
nos deixa sem fôlego, sem fala...
O que dizer da beleza humana
quando vem o brilho da alma?
E uma só brasa detém o frio...
O que dizer da beleza humana
quando ela nos arrebata?

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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Contigo

Quem caminha contigo,
ainda que ande descalço!
Ao longo de todo o caminho
jamais estará sozinho;

Quem caminha contigo
não está livre do laço,
nem das pedras, desafios...
Mas há consolo em teu abrigo;

Quem caminha contigo
reparte o próprio lastro,
e engrandece o espírito
quando não ostenta isto;

Quem caminha contigo
chega deveras exausto,
e com os pés feridos
ao paraíso!

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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Diário de bordo

Com meu diário de bordo
navego rumo a um norte
de conhecimentos tantos...
Aquicultura, ecologia,
técnicas de pesca,
do pescado, tecnologias!
E eu sigo pescando...
Com meu diário de bordo
eu recordo que é preciso
mudar o mundo!
Construir base para o futuro,
transformar nossos sonhos
em projetos de engenharia,
a fim de preservar o que resta,
resguardar a própria vida!
E eu sigo sonhando...

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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Alto firmamento

Alguém pode até pensar,
ou tentar se convencer
de que está no controle...
Mas pode esquecer!
Não controlamos nada,
além das coisas medíocres
e costumeiras do dia a dia;
alguém pode ordenar
algo para ser feito agora,
ou determinar hora, lugar...
Mas jamais há de deliberar
o que concerne à alma!
Alguém pode até cismar,
dizer que os meus sonhos
não são possíveis...
Porém ainda assim,
continuarei sonhando!
Alguém pode me ignorar,
achar que eu sou estranho
ou até mesmo ridículo!
E querer me afrontar,
tentar me humilhar...
Porém, em alto firmamento,
para estes rogarei bênçãos,
porque são pobres de espírito;
e nem mesmo precisarei fazer
força alguma para entender,
pois tantas são as dores
e angústias desse mundo...
Tantos são os enganos
que provocam isso tudo.

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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Águia do norte

Impávida águia do norte!
Emblema de força, de poder...
De visão aguçada pelo cobre,
e dissimuladas asas
com envergadura magistral!
Implacável ave de rapina,
o seu instinto é obscuro,
insaciável e unilateral!
Esfola a peçonhenta cobra,
mas devora sem piedade,
o inócuo pardal!
De dourada estirpe é símbolo,
a qual subjuga outras tantas,
prepara as suas colossais garras
e abarca outros domínios...
Do pico espreita o pombal!
Predadora cruel, impassível,
o iníquo sacrifício alheio
é o seu alento habitual;
Sim, os lauréis são para ela!
Jogadora infalível, parcial...
Por que faz as próprias regras.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

domingo, 3 de dezembro de 2017

DEPRESSÃO

Eu a vejo em teu rosto,
debruçada nos teus ombros,
que lutam para se erguer
do leito dolente...
Eu a vejo no teu olhar perdido,
que no fundo busca um caminho
desesperadamente...
E cada vez mais eu a vejo!
Eu a vejo pelas ruas,
nas casas, passando pela praça...
A flecha veloz que voa de dia,
que atravessa o coração
e faz sangrar a alma.

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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Castelos de areia

Ah! Esse cheiro de mar,
eflúvio que traz lembranças
da infância, das fantasias,
dos castelos de areia erguidos
por miúdas mãos de crianças...
- Talvez não tivessem ideia,
de que o vento e as ondas
tão logo se encarregariam
de tudo desmanchar...
E parte de mim ficou por lá!
Tentando juntar os sonhos
vertidos pelos caminhos,
à singela porção de esperança...
Ah! Quem me dera ter na vida
mais do que apenas castelos,
que no insano galope do tempo
desaparecem na areia branca.



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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

sábado, 18 de novembro de 2017

Fim?

O fim é mesmo inevitável!
Toda aventura se encerra,
e daí a gente navega
para o desconhecido…
Enquanto a nau afunda
a gente flutua à deriva,
e não há bússola!
Não se sabe as coordenadas…
Então eis que surge uma ilha,
um paraíso divo fascinante
no meio do nada,
onde a vida é para sempre…
Contudo talvez,
ainda seja preciso vir
num outro barco,
e começar tudo outra vez.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

domingo, 22 de outubro de 2017

Pretensão

Quem dera se eu pudesse
com uma palavra mudar tudo!
Ah! Mas que mundo eu faria...

E eu diria: Basta!
Então todos se abraçariam
e jogariam fora as armas!

E eu diria: Basta!
Daí já não haveria fome,
nem essa gana desvairada!

E eu diria: Basta!
E as duras calçadas das ruas
de mais ninguém seria morada!

Eu diria: Basta!
E tudo seria reaproveitado,
e a natureza estaria salva!

Eu diria: Basta!
E os ares tristes seriam risonhos,
pois as doenças estariam curadas!

Ah! Mas que pretensão a minha,
porque não sei de nada!
Não sei nem se há alguma razão...
Ah! Mas que pretensão a minha,
na poesia eu me aquieto;
Oh! Senhor dos universos, perdão!


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Ares do Capibaribe

Ah! Os ares do Capibaribe,
e que brisas sopram lá!
O noturno céu vem sublime,
vestido todo de estrelas...
Por debaixo da mesa
tantas carícias...
Lá os lábios não falam,
sussurram delícias!
Aliciando os ouvidos
com ardentes desejos,
e arrebatadores suspiros;

Ah! Os ares do Capibaribe,
e que olhares passeiam lá!
Tantos faiscantes convites
vão ao ritmo do rio, da canção...
E não há frio no olhar da morena,
da ruiva, da loira, da mulata...
Que incendeiam sem pena,
o meu volúvel coração;

Ah! Os ares do Capibaribe,
ares do meu Recife!
Da poesia, das canções,
dos amores voláteis,
que rapidamente
vem e vão sem avisar...
Do leito borrado do rio,
que ainda assim,
faz meu peito desolado
de amor transbordar.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

Passos

Passos, tantos passos,
passeiam no infinito...
E nas trilhas invisíveis
vão esferas cumprindo
algo além da compreensão;
Passos, tantos passos,
e nesses tempos incertos
é cada vez mais escasso
os que caminham reto,
enquanto tantos desacertados
vão tropeçando, retroagindo,
vão uns aos outros suprimindo...
Passos, tantos passos,
quantos ao tempo passarão?
Antes que enfim caminhem
em um mesmo compasso,
numa única direção.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

sábado, 23 de setembro de 2017

Flor

Eu te quero ó flor,
no meu calor...
De pétalas abertas,
escancarada!
Eu te quero ó flor,
no meu furor...
Latejando inquieta,
empapuçada!
Eu te quero ó flor,
no meu vigor...
Esgarçada na relva,
lambuzada!
Eu te quero ó flor,
no meu amor...
Fluindo pela greta,
Saciada!


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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Luz de minha aurora

Eu bem sei que um dia
deixarei de ser criança,
que não terei no peito
nem meia esperança,
da qual me enche agora
com tão ingênuos sonhos...
Estou fadado a envelhecer!
Mesmo não aceitando,
quando o peso dos anos
se debruçarem fartos
sobre os meus ombros,
então logo irei saber:
Já estarei trilhando
o caminho de volta...
Mas não, que nada impeça!
Que eu carregue a réstia
da luz minha de outrora,
luz de minha aurora!
Até o momento do fim...
Para jamais me esquecer
de quem eu sou, donde vim...
Que ela não me abandone,
Nem mesmo na última hora.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Cores de esperança

Deveria ter construído
minha casinha branca
quando ainda era verão,
e o sol sorria para mim...
Agora neste rijo inverno,
uma volumosa lama
acumula-se no leito vão,
sobre o vale fértil em mim;

Ah! Se eu tivesse erguido
ao menos uma cabana
quando na alta estação,
não me tomaria o frio assim,
com carrancudo céu coberto
de nuvens e cinzas tantas...

Inda sonho com outro verão!
Com o despertar risonho enfim,
de um fagueiro domingo...
E o eco dos risos das crianças
no ir e vir dos balanços da praça
junto às flores da primavera,
vivazes cores as da esperança!


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Leite de pedra

Leite extraído de pedra
é mesmo assaz amargo,
mas não tem o ranço
do leite envinagrado
de uma vaca alheia...
Nem que esteja cheia
do branco líquido lácteo,
as robustas tetas róseas
com os filões dilatados...
Quando se prova,
logo vem uma sensação
análoga ao veneno de cobra...

Ao pisar em áridas veredas,
quantos não engolem
a própria dignidade?
Já outros seguem entalados...
Alguns se ensoberbecem
com méritos de outrem,
outros preferem anonimato.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

domingo, 10 de setembro de 2017

Capacidade

Não é que a poesia
esteja morta e enterrada,
apenas há poucos ouvidos
capazes de ouvi-la...
No mundo de hoje,
nessa insana correria,
já não há tempo para escutar
o que não seja trivial...
Dessa forma o coração pulsa,
pulsa e só!
Não se encanta, não vibra...
Acostuma-se ao que é banal!
A capacidade de amar,
esta sim está comprometida.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Uns e zeros

Enquanto a esperança
agoniza aos impactos
de um desfibrilador...
Inúmeros dedos
dedilham treinados,
incontáveis caracteres
em códigos binários;

Olhos hipnotizados
flutuam nas escotilhas,
numa “vibe” artificial...
Onde o mundo inteiro passeia
através dos pulsos elétricos
de infindáveis uns e zeros,
na gigantesca teia dum robô.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).