quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Borboleta

Quando pus meus olhos
no inerte semblante,
o qual jazia frígido, pálido...
Assombrou-me imaginar
naquele atroz instante,
a ânsia dos vermes
que famintos o espreitavam,
para mais tarde devorá-lo!
E isto consumiu minha paz...
Mas em seguida me dei conta,
de que ela não estava lá!
Tal qual borboleta,
que o fugaz casulo abandona,
pelos azuis foi voar.

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Vil anseio

No início eu compreendi
e até acolhi aquele pleito...
Contudo tão logo pressenti,
por detrás de todo colorido,
algo imensamente negro...
Em seguida eu vi o mal
camuflado nas flâmulas
de compassivos direitos...
Tanta gente desencontrada
a vomitar dissabores nas vias,
exigindo obscenos proveitos...
Verdadeiro circo de horrores
personificando o vil anseio,
de ceifar a essência diva
que agoniza em nosso meio.

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Flama última

Jaz a honra por ora no fogo,
que consome e depura...
Mas esperança é como brasa,
flama última que apaga!
Às vezes arde branda e silente,
ninguém vê ou escuta...
Talvez das fúnebres cinzas,
um dia de repente ela renasça!

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Cinzas da dignidade

Mesmo que com enorme pesar,
ele prefere ora lançar,
as cinzas de sua dignidade
numa lata qualquer de lixo,
onde em frenesi se regozijam
dezenas de moscas e mosquitos...
Às vezes um homem
tem de fazer o que for preciso,
para não manchar seu tesouro
na lama pútrida das cidades...
E não importa quantas bocas
de lobos rosnem mentiras,
como fossem verdades...
Nem mesmo quantos tolos
com toda pompa deliberem,
se há ou não necessidade...
Um sujeito pode estar prostrado,
mas não anseia por esmola!
E nem tampouco por piedade...
Na sina tenaz que o assola,
ele só espera uma oportunidade.

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Algo a mais

Enxergue além das nuances
pulcras das epidermes...
Além dos carros que uns vestem
e das roupas e badulaques
que às vezes divergem,
das reais personalidades...
Veja além do meio e das classes,
além da feiura ou da beleza,
muitas vezes cheia de disfarces...

Enxergue além do egoísmo,
vil anseio que tortura a alma!
E dos calos nas palmas das mãos;
Veja além das virtudes, dos vícios,
e da verdade única do ser!
A qual sempre foge ao olhar vão;
Afinal, sabe-se só em parte,
o que cada um carrega
sobre os ombros e no coração...

Enxergue além de tudo isso!
E um poderoso feitiço
há de ser então quebrado...
No fim, verá apenas crianças,
perdidas num vale enevoado...
Tentando provar de alguma forma,
que existe algo a mais em si,
do que os arranjos atômicos
imersos em sonhos e esperanças.

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

sábado, 4 de agosto de 2018

Equívoco maior

O equívoco maior do homem
é julgar-se autossuficiente;
Ele se encherá somente
com a própria vaidade,
daí o egoísmo o dominará!
E ainda que a verdade
salte-lhe aos olhos,
ele fará questão de ignorar.

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).