segunda-feira, 30 de julho de 2018

Desmedido

E o que dizer do amor?
Se ele é assim, desmedido...
Se em face dos grandes,
é ainda maior! É imenso...
Certamente alguém o verteu
do sumo de algum paraíso;
Mas o amor cabe em você!
Cabe até mesmo em mim,
sendo eu tão pequeno...
Ele cabe num olhar,
numa palavra, num gesto,
em um abraço amigo...
Cabe num beijo enamorado,
num meio mais intenso,
cabe dentro dum sorriso...
O amor na verdade,
Não pertence a ninguém!
Porém, de alguma maneira,
em nós ele está contido.

Publicado em: oasispoeticobrasil.blogspot.com.br
Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

A paz da infância

Que venha nos ares doces d’aurora!
a paz da infância (que não tive),
a paz pura e simples que permite
o despontar suave das horas...

Que venha até mesmo agora!
A paz que nem sei se existe...
a paz que uns dizem voar livre,
pelo azul do céu mundo afora...

Mas às vezes ante o azul céu
pairam as nuances do cinza,
e as asas recolhem apressadas...

Aguardam o temporal encolhidas,
as brancas asas então represadas...
Mais tarde somem no imenso véu.

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

Aldeia dos Camarás

Ó Aldeia dos Camarás!
Onde uns anseiam por lisonjeio,
enquanto outros, apenas por paz;
Aldeia das murmurantes fontes,
donde brota água mais pura
recheada com minerais...
Aldeia dos ventos ressonantes,
que vêm pela verdosa folhagem
das remanentes matas tropicais;
Aldeia dos pássaros que gorjeiam
livres e sossegados nos galhos,
e dos piados dos carcarás...

Ó Aldeia dos dias meus delirantes!
Aos pés dos teus verdejantes bosques,
eu já plantei tantos sonhos...
Ó Aldeia das frias noites rutilantes!
Em meio cantigas sob tantos luares,
o teu risonho verde brilha mais.

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Uma chance

Dê-me uma chance!
e tentarei remover as pedras,
que obstam as nossas vias...
Derramarei o meu suor
e doarei meu sangue,
no ledo afã de salvar vidas...
É preciso que todos enxerguem
os dois lados da moeda!
Neguem a falsa paz iníqua!
Na qual tramam as guerras...
E se a desesperança
impregnar o seu ingênuo ser
com crenças pérfidas...
Levarei nem que seja um lampejo,
pelas noites mais sombrias...
Todos têm direito a escolher
seguir a luz ao invés das trevas.

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).
 

terça-feira, 24 de julho de 2018

Trajeto contrário

Para quê fingir afeição?
Se depois vai tachar as pessoas,
lá do alto de sua insensatez...

De que adianta a boa vida?
E viver assim como você...
Um emaranhado de mentiras,
uma remendada à outra,
simulando realidade
onde há somente desfaçatez...

Tomara que gire algum dia!
O mundo no trajeto contrário...
E nesse descompasso talvez,
você enxergue a verdade
ao menos uma vez.

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).
 

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Coração enigmático

Será que é meu
o seu coração, menina?
Ou é feito um assobio?
O qual busca melodia
em inúmeros lábios,
porém sempre culmina
em face de pranto ou riso,
friamente desprezado...

Será que é meu
o seu coração, menina?
Ou há muito foi despojado?
Por um amor bandido...
Talvez num ímpeto desolado,
De fugar o imenso vazio
da inutilidade das coisas,
quando volatiliza o vinho...

Será que é meu
o seu coração, menina?
Ou ele já foi despedaçado?
Por alguma alma sem brios...
Quem sabe não tenha suportado,
a incapacidade que há
em qualquer rotina,
de fazer alguém feliz de fato;

Será que é meu
o seu coração, menina?
Ou é como aquele pássaro?
Que voa de galho em galho
e não faz ninho em lugar algum...
Daqueles que encantam,
mas cantam o canto solitário
e no fim morrem de frio.

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).
 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Imaginação


Se eu soltar a imaginação,
devo desde já te avisar:
Talvez a viagem seja longa,
e não possas me acompanhar...

Se eu soltar a imaginação,
atravessarei os desertos
e pelas dunas escaldantes
em um camelo intrépido,
farei uma busca incessante
de um oásis inda disperso,
aonde irei me deleitar...
Depois adentrarei às matas
com o antigo afã de plantar...
Espalharei as sementes,
que germinarão em toda gente
o intento maior de preservar...

Irei galopar num cavalo de aço
pela areia branca do mar,
como fosse o próprio asfalto,
só para sentir a brisa no rosto
e o cheiro bom da maresia,
a qual me põe a sonhar...
Depois vou navegar os oceanos
e com uma formosa sereia,
conhecer as profundezas
dos tesouros que estão por lá;

Então vou subir tal qual foguete
direto para a superfície lunar,
da lua saltarei nas estrelas,
uma por uma,
ou quem sabe um cometa
se disponha a me levar,
por todo o universo...
Lá o tempo é tão somente
um relógio incerto e quebrado,
que flutua na parede do espaço
sem nada mais determinar!

E quando enfim chegar
ao trampolim do infinito,
num abismo invisível
irei mergulhar...
Porque tudo que eu sou
é a própria natureza,
e nela hei de me encontrar...

Se eu soltar a imaginação,
até podes não acreditar...
Mas será incrível!

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).
 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

A resistência

Hoje em dia ler ou escrever poesia
é tal como numa guerra iníqua,
fazer parte de miúda resistência
cercada por legiões inimigas...
Sublime tropa que ostenta amor
em detrimento dos egos fúteis...
Nobre batalhão que tenta transpor
colossais barreiras erguidas,
a fim de transcender as fronteiras
da carne, e alcançar a alma...
Renitência obstinada e aguerrida,
a qual intrepidamente resguarda
as virtudes do ser humano,
e a essência mor da própria vida.

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Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).
 

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Cisma

Eu jamais me atrevo
a dizer que a vida é boa,
ou que é ruim...
Porque cada qual tem começo,
e um meio, e um fim...
Os caminhos são distintos,
tal como cada um dos vultos,
que por eles seguem
e depois desaparecem, enfim!
Quanto ao desfecho inevitável,
carrego desde sempre
uma cisma enraizada em mim...
A fé é algo inexplicável!
Como crer que não haja acerto,
se o ser encerrar aqui.

Publicado em: oasispoeticobrasil.blogspot.com.br
Autor: André L.B. Barros - (Álvaro Cosmo Filho).