sábado, 23 de setembro de 2017

Flor

Eu te quero ó flor,
no meu calor...
De pétalas abertas,
escancarada!
Eu te quero ó flor,
no meu furor...
Latejando inquieta,
empapuçada!
Eu te quero ó flor,
no meu vigor...
Esgarçada na relva,
lambuzada!
Eu te quero ó flor,
no meu amor...
Fluindo pela greta,
Saciada!


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Luz de minha aurora

Eu bem sei que um dia
deixarei de ser criança,
que não terei no peito
nem meia esperança,
da qual me enche agora
com tão ingênuos sonhos...
Estou fadado a envelhecer!
Mesmo não aceitando,
quando o peso dos anos
se debruçarem fartos
sobre os meus ombros,
então logo irei saber:
Já estarei trilhando
o caminho de volta...
Mas não, que nada impeça!
Que eu carregue a réstia
da luz minha de outrora,
luz de minha aurora!
Até o momento do fim...
Para jamais me esquecer
de quem eu sou, donde vim...
Que ela não me abandone,
Nem mesmo na última hora.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Cores de esperança

Deveria ter construído
minha casinha branca
quando ainda era verão,
e o sol sorria para mim...
Agora neste rijo inverno,
uma volumosa lama
acumula-se no leito vão,
sobre o vale fértil em mim;

Ah! Se eu tivesse erguido
ao menos uma cabana
quando na alta estação,
não me tomaria o frio assim,
com carrancudo céu coberto
de nuvens e cinzas tantas...

Inda sonho com outro verão!
Com o despertar risonho enfim,
de um fagueiro domingo...
E o eco dos risos das crianças
no ir e vir dos balanços da praça
junto às flores da primavera,
vivazes cores as da esperança!


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Leite de pedra

Leite extraído de pedra
é mesmo assaz amargo,
mas não tem o ranço
do leite envinagrado
de uma vaca alheia...
Nem que esteja cheia
do branco líquido lácteo,
as robustas tetas róseas
com os filões dilatados...
Quando se prova,
logo vem uma sensação
análoga ao veneno de cobra...

Ao pisar em áridas veredas,
quantos não engolem
a própria dignidade?
Já outros seguem entalados...
Alguns se ensoberbecem
com méritos de outrem,
outros preferem anonimato.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

domingo, 10 de setembro de 2017

Capacidade

Não é que a poesia
esteja morta e enterrada,
apenas há poucos ouvidos
capazes de ouvi-la...
No mundo de hoje,
nessa insana correria,
já não há tempo para escutar
o que não seja trivial...
Dessa forma o coração pulsa,
pulsa e só!
Não se encanta, não vibra...
Acostuma-se ao que é banal!
A capacidade de amar,
esta sim está comprometida.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Uns e zeros

Enquanto a esperança
agoniza aos impactos
de um desfibrilador...
Inúmeros dedos
dedilham treinados,
incontáveis caracteres
em códigos binários;

Olhos hipnotizados
flutuam nas escotilhas,
numa “vibe” artificial...
Onde o mundo inteiro passeia
através dos pulsos elétricos
de infindáveis uns e zeros,
na gigantesca teia dum robô.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

Eterno amor de verão

Ah! Juliana,
amor meu da infância!
Da fugaz lembrança
fugiu-me o teu rosto,
mas sei que foi amor!
Foi amor roxo...

Nossa história
findou sem epílogo,
junto com a alta estação...
E tão cedo provei eu,
o amargor da desilusão;

Quem me dera ter vivido
esse amor impossível...
Quem me dera ter te visto
na praia de Acaú outra vez,
ou talvez em outro lugar
qualquer desse mundo;
E tanto que eu sonhei!
Tanto que rezei para isto...

Quantos sonhos pueris
eu vi envelhecendo,
capengando pelo caminho,
sem teu sorriso, morrendo...

Ah! Juliana
dos devaneios meus,
eterno amor de uno verão!
Ainda te guardo comigo.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

Amores corriqueiros

Eu beijei Luciana,
pela primeira vez eu beijei!
Foi mágico, e eu tremia...
Mas toda essa magia
durou apenas duas semanas;
Ela convidou-me
para conhecer os pais dela,
aí veio Marcela
do Colégio Especial,
e deu-me um longo beijo
caudaloso e quente,
que foi suficiente
para me fez desistir...

Érica eu beijei no cinema,
Fabiana no café expresso
em frente às lojas Americanas;
Nayara queria namorar firme,
porém no dia do encontro
atacou-me a amidalite,
e infelizmente não pude ir...

No terraço lá de casa
a culpa foi do vinho,
que me fez beijar Aline
com dose supra de carinho...

Suzy e Jacilene do CODAI,
deu-me arrependimento,
porque namorei as duas
ao mesmo tempo...
- Não fiquei bem visto -
Mas ainda lá, veio Marília,
e quanto mais eu a beijava
sempre mais ela queria...

Na Madalena beijei Vanuza,
Nicinha, Jaqueane...
E outras, que me perdoem,
não recordo mais seus nomes...
O furor das brasas
Da juventude é mesmo assim!
Elas provavelmente
também não se lembram de mim...

Foram tantas flores ao vento,
que em verdes dias
alegraram o meu jardim...
Nos vieses do tempo
amores corriqueiros começam,
e assim como todo o resto,
inevitavelmente,
um dia chegam ao fim.

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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

Olhar psicodélico

Meus olhos navegam,
no puro mel castanho
psicodélico do teu olhar,
para outro mundo...
Em sonho é permitido tudo,
e a gente faz amor
no tapete alvo de areia
duma praia deserta,
numa gruta entre pedras,
ouvindo o eco do mar...
O lampejo do teu sorriso
enche-me de desejos...
Nos errantes sonhos,
Eu me pego imaginando:
Quão doce será teu beijo?
Nas curvas do teu corpo,
a natureza se mostra
da forma mais exuberante,
onde habitam meus anseios...
Imagino os teus seios nus
E o teu dedo acenando,
Gentilmente me aliciando
Para outra vez amar.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Sempre ele!

Ah! Como fosse verdade
vim dizer que não é,
Mas na realidade
a questão é sempre ele!
A gana é por ele,
no poderio que nele reside;
O simulado abraço,
falso beijo, fingido respeito,
que com ele se conquiste...
Mas não me venha dizer,
que isto não existe...
Matamos, morremos por ele!
Fazemos guerras...
Passamos a vida inteira
amarrados a ele,
como um perene repisar
Num laço de passarinheiro.


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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Entre o bem e o mal

Enquanto vagueia
não sei por onde,
a minha celeste estrela,
eu vagarei também
pela beira dum caminho,
no qual eu não ande
sempre tão sozinho...
E nele não seja preciso,
fingir que sou alguém!
Porque sou tão somente
um vulto que orbita
em algum lugar,
na vastidão do infinito...
Um ente divinal unido
a um invólucro animal,
que deveria ter evoluído!
Mas a todo tempo oscila
entre o bem e o mal...

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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Além do labirinto

Conserva o teu espírito
enquanto caminhas
nesse rijo labirinto,
pálido, sem quase cor...
Constrói para ele abrigo
na grandeza indizível
das mãos de Deus,
nos braços do amor!
Mantenha-o a salvo
do laço, da poeira,
de todo mal e rancor...
E ainda que te pareça
intransponível,
a gigantesca barreira
desses crespos muros,
feitos de sonhos perdidos,
de desilusão, de dissabor...
O teu olhar flutuará
Por cima do hirto labirinto
e já não terás medo,
não te alcançará a dor.

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Autor: André Barros - (Álvaro Cosmo Filho).